Túmulos vazios em cemitério no Vaticano aumentam mistério de 36 anos

Um mistério antigo ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira, na Itália. Pouco mais de 36 anos atrás, no dia 11 de junho de 1983, a filha de um funcionário da Igreja, no Vaticano, foi para uma aula de flauta. Emanuela Orlandi, com 15 anos, voltava para casa quando, em uma parada de ônibus no centro de Roma, foi vista pela última vez.

O sumiço de Emanuela gerou diversos boatos e teorias sobre seu paradeiro. Era teria sido sequestrada? Se sim, por que a família nunca recebeu uma carta pedindo resgate? Ela foi assassinada? Se tiver sido, onde está seu corpo?

As respostas do público italiano iam desde a tentativa de militantes de libertar Mehmet Ali Agca, que estava detido após tentar assassinar o então Papa João Paulo II, com um tiro, até ligações com o túmulo de um mafioso, Enrico De Pedis, enterrado em uma basílica no  Vaticano. Seu corpo foi exumado, em 2012, e nada foi encontrado.

As investigações da polícia italiana sempre levaram em consideração o fato dela ser filha de um funcionário do Vaticano e acreditavam que havia alguma ligação com o seu sumiço.

Em 2018, uma ossada foi encontrada, quando uma obra era feita no Vaticano. Logo, ligaram ao caso de Emanuela, mas os exames de DNA foram negativos.

Tanto tempo depois do caso poderia indicar que novos indícios não surgiriam. Porém, em março de 2019, a família Orlandi recebeu uma carta anônima, na qual continha uma foto com um anjo de um túmulo de um pequeno cemitério no Vaticano.

O Cemitério Teutônico possui o acesso restrito e protegido por soldados da Guarda Suíça, que também faz a proteção do Papa. Era lá que o anjo da carta, que segura a inscrição “descanse em paz”, em latim, estava. A família Orlandi, então fez de tudo para conseguir a exumação daquele túmulo.

Segundo Pietro, irmão de Emanuela, o Papa Francisco não deu a devida ajuda ao caso, desde que assumiu o cargo de Pontífice. Ainda de acordo com Orlandi, o Papa chegou a falar, somente, que “Emanuela está no céu”.

Ainda assim a exumação foi obtida. O Cemitério Teutônico foi usado durante séculos por membros da Igreja e famílias nobres de origem austríaca e alemã. Os dois túmulos a serem exumados deveriam conter os restos da princesa Sophie von Hohenloe, morta em 1836, e a princesa Carlotta Federica de Mecklenburgo, falecida em 1840. 

Deveriam. Mas nenhum resto humano foi encontrado nos túmulos. Nem das princesas, nem de Emanuela. Segundo o porta-voz do Vaticano, Alessandro Gisotti, nenhum corpo ou ossada estava no local e o túmulo da princesa Sophie levava para um grande cômodo subterrâneo vazio.

Esse é apenas mais um capítulo de um mistério digno de filme e, quando parecia que iria se obter uma resposta, o que apareceu foram novas perguntas. Gisotti afirma que o Vaticano examinará registros de obras estruturais feitas no passado, no cemitério. Por enquanto, a família Orlandi ainda não conseguiu encontrar um desfecho para sua sofrida história.

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